QUEM SOMOS

A nossa história começa com a dor. Mas não termina nela.
A Rehlum nasce da dor de mulheres que foram vítimas de agressões, violência e tentativas de feminicídio.
Mulheres que conheceram o medo não como uma estatística, mas como parte de suas próprias histórias.
Diante dessa realidade, poderiam ter se calado. Poderiam ter transformado a dor em silêncio.
Decidiram transformá-la em luta.
Começaram a se organizar, conversar com outras mulheres, ouvir vítimas de violência e familiares de vítimas de feminicídio. E dessas experiências nasceu uma pergunta muito simples:
O que poderia ter sido feito para protegê-las?
Foi ouvindo essas histórias e procurando respostas para essa pergunta que começamos a pensar em tecnologia.
A experiência daquelas mulheres ajudou a identificar necessidades reais de quem vive uma situação de risco: pedir ajuda discretamente, comunicar rapidamente uma ameaça, permitir localização, alcançar uma rede de proteção e reduzir o tempo entre o perigo e o socorro.
Assim começou a nascer o GSZ360 — Grito Silencioso, uma tecnologia pensada a partir da realidade de mulheres que sabem o que significa precisar de proteção.
Mas desenvolver uma solução não era suficiente.
Era preciso fazê-la chegar às mulheres.
E foi aí que encontramos outra realidade.
Começamos a procurar o poder público, apresentar a tecnologia e defender sua implantação nos municípios. Encontramos portas abertas, mas também encontramos portas fechadas. Encontramos pessoas dispostas a ouvir e outras que sequer quiseram conhecer aquilo que estávamos propondo.
A experiência nos fez compreender algo maior:
não basta construir uma solução quando quem tem o poder de implementá-la não considera o problema uma prioridade.
E então nossa luta mudou de dimensão.
Percebemos que a violência contra a mulher não começa somente quando alguém agride seu corpo.
Existe também um processo anterior, mais silencioso: quando a sua voz não chega aos lugares onde as decisões são tomadas; quando suas experiências não participam da definição das prioridades; quando aquilo que acontece conosco não encontra a mesma relevância nos espaços de poder.
Foi dessa reflexão que nasceu uma das ideias que hoje orientam nossa caminhada:
o feminicídio do corpo pode ser precedido pelo feminicídio do poder.
Quando mulheres estão distantes dos espaços onde se decide sobre segurança, saúde, educação, orçamento, tecnologia e políticas públicas, também ficam distantes da possibilidade de determinar quais problemas precisam ser enfrentados primeiro.
Foi então que compreendemos:
se queremos transformar a realidade das mulheres, precisamos participar dos lugares onde essa realidade é decidida.
Por isso, nossa caminhada não parou no aplicativo.
A tecnologia nos levou à luta.
A luta nos levou à produção de conhecimento.
O conhecimento nos levou à organização.
E a organização nos trouxe à compreensão de que também precisamos ocupar os espaços de decisão.
Hoje, a Rehlum reúne mulheres dispostas a transformar experiência em conhecimento, conhecimento em organização e organização em capacidade de mudar a realidade.
Não somos mulheres unidas porque pensamos exatamente da mesma maneira.
Somos mulheres que compreenderam que existem causas maiores do que nossas diferenças.
Queremos proteger mulheres.
Queremos produzir nossas próprias ideias.
Queremos desenvolver soluções.
Queremos participar da construção de políticas públicas.
Queremos preparar outras mulheres.
E queremos ampliar a presença feminina nos lugares onde as decisões que afetam nossas vidas são tomadas.
Por isso nos organizamos.
Por isso desenvolvemos tecnologia.
Por isso escrevemos.
Por isso denunciamos.
Por isso propomos.
Por isso estamos construindo uma mobilização nacional.
Nós somos mulheres que decidiram não permitir que a dor determine o fim da nossa história.
Transformamos sofrimento em força.
Experiência em conhecimento.
Conhecimento em tecnologia.
Indignação em mobilização.
E mobilização em transformação.
Isso é ser uma Mulher Tecnológica.
COLETIVO REHLUM
A nossa história nasceu da necessidade de sobreviver.
O nosso futuro será construído pela capacidade de transformar.
