Nossas Lutas

CONTRA O FEMINICÍDIO EM SÃO JOÃO DE MERITI

O PREFEITO LÉO VIEIRA NÃO ACEITOU NO MUNICÍPIO UMA TECNOLOGIA DE PROTEÇÃO ÀS MULHERES CONTRA A VIOLÊNCIA, ASSALTOS E O FEMINICÍDIO — E QUE TAMBÉM OFERECE PROTEÇÃO E ASSISTÊNCIA ÀS PESSOAS IDOSAS.

Nós, mulheres do Coletivo Rehlum, desenvolvemos o GSZ360, uma tecnologia de segurança e proteção social que nasceu da escuta de centenas de relatos de mulheres vítimas de violência, de familiares de vítimas de feminicídio e de pessoas idosas que convivem com o medo de precisar de socorro e não conseguir pedi-lo a tempo.

Imagine uma mulher sendo seguida na rua. Ela percebe que alguma coisa está errada, olha para trás, acelera o passo e percebe que a pessoa continua seguindo. Imagine essa mulher poder apertar apenas um botão e iniciar imediatamente um pedido de socorro.

Imagine uma mulher ameaçada dentro ou fora de casa. Imagine uma pessoa idosa que mora sozinha, passa mal, cai ou simplesmente percebe que precisa de ajuda. Em uma situação assim, ninguém deveria precisar enfrentar um processo complicado para conseguir pedir socorro.

Foi pensando nessas pessoas que desenvolvemos o GSZ360.

REDUZIR O TEMPO ENTRE O RISCO E O SOCORRO.

Esse é o princípio.

A versão que levamos à Prefeitura de São João de Meriti já possuía seu recurso central funcionando: o botão de pânico manual. A pessoa percebe o risco, aciona o botão e inicia seu pedido de ajuda. Que poderá chegar à rede de proteção, utilizando recursos como WhatsApp, SMS e BlueGSZ, nossa tecnologia de comunicação de proximidade. A proposta também prevê que, mediante integração institucional, os alertas possam alcançar estruturas públicas de segurança, saúde, Defesa Civil e assistência.

NÓS FOMOS ATÉ A PREFEITURA.

Não enviamos apenas uma ideia por mensagem.

Fomos até a Prefeitura de São João de Meriti, percorremos setores da administração municipal, apresentamos a proposta e chegamos inclusive à área responsável pela tecnologia, onde demonstramos o aplicativo funcionando.

Durante esse percurso ouvimos que não havia dinheiro.

Nós respondemos: Não queremos dinheiro quero segurança para nós, nossos filhos e para nossos idosos.

OFERECEMOS A LICENÇA GRATUITAMENTE.

Também apresentamos o GSZ360 à vice-prefeita e deixamos novamente claro que o Município não precisaria pagar pela licença oferecida pelo Coletivo.

Depois de todo esse percurso, recebemos a informação de que o prefeito Léo Vieira não tinha interesse.

“NÃO TENHO INTERESSE.”

E foi exatamente essa resposta que nos trouxe até aqui.

POR QUE TORNAMOS ISSO PÚBLICO?

Talvez algumas pessoas entendam esta nossa ação, este nosso ato, como um confronto com o prefeito de São João de Meriti. Não é esse o nosso objetivo. Não queremos desmoralizar ninguém, transformar um gestor público em inimigo ou criar uma guerra com a Prefeitura.

Mas é preciso compreender por que ficamos indignadas.

NÓS SÓ QUEREMOS NÃO SER ASSASSINADAS.

Não estamos lutando por atenção. Estamos lutando pelas nossas vidas.

Queremos voltar para casa. Queremos ter mais possibilidades de pedir socorro quando estivermos em perigo. Queremos que nossas mães, filhas, amigas e companheiras tenham mais uma possibilidade de proteção. Queremos que uma pessoa idosa que passe mal sozinha tenha mais uma possibilidade de conseguir ajuda.

Quando falamos de violência contra a mulher, não estamos discutindo um problema distante. Somos nós que sentimos medo. Somos nós que somos perseguidas. Somos nós que somos ameaçadas. Somos nós que somos agredidas. Somos nós que somos assassinadas.

Por isso, permanecer em silêncio não é uma alternativa.

NÓS NÃO PODEMOS NOS CALAR DIANTE DO FEMINICÍDIO.

Se for necessário falar mais alto, falaremos.

Porque aqui a questão não é simplesmente sermos ouvidas.

É VIVER OU MORRER.

SE ESTIVÉSSEMOS COBRANDO, PODERÍAMOS COMPREENDER UMA RECUSA FINANCEIRA.

Se nós tivéssemos apresentado o GSZ360 cobrando pela licença e a Prefeitura respondesse que reconhecia a importância da tecnologia, mas naquele momento não possuía recursos para contratá-la, poderíamos compreender.

Se o Município dissesse que precisava utilizar os recursos disponíveis para desenvolver sua própria ferramenta e que não poderia pagar por duas tecnologias, também haveria uma discussão financeira compreensível.

Poderíamos discordar da decisão. Poderíamos defender as diferenças do GSZ360. Poderíamos voltar em outro momento.

MAS NÃO FOI ISSO QUE ACONTECEU.

É daí que vem nossa indignação.

Nós somos mulheres que nos organizamos para desenvolver uma tecnologia que ajude a proteger outras mulheres. Levamos essa tecnologia ao poder público, demonstramos seu funcionamento e, quando o dinheiro apareceu como problema, retiramos o dinheiro da discussão.

Mesmo assim, recebemos a informação de que não havia interesse.

NÓS OFERECEMOS DE GRAÇA MAIS UMA POSSIBILIDADE DE PROTEÇÃO PARA NÓS MESMAS.

É isso que não conseguimos simplesmente aceitar em silêncio.

“MAS O MUNICÍPIO ESTÁ DESENVOLVENDO O SEU PRÓPRIO APLICATIVO.”

Também ouvimos durante esse processo que São João de Meriti iria desenvolver sua própria ferramenta de proteção às mulheres.

Que desenvolva.

NÓS QUEREMOS MAIS PROTEÇÃO, NÃO UMA DISPUTA ENTRE APLICATIVOS.

Não estamos dizendo que São João de Meriti não deve ter sua própria tecnologia. Não queremos que uma Prefeitura abandone uma ferramenta que possa proteger sua população simplesmente porque existe o GSZ360.

O problema é outro.

Uma Prefeitura administra um território.

NÓS, MULHERES, NÃO VIVEMOS PRESAS DENTRO DOS LIMITES DESSE TERRITÓRIO.

Nós moramos em uma cidade e trabalhamos em outra. Estudamos em outra. Visitamos nossas famílias em outra. Vamos ao médico em outra. Saímos, viajamos e atravessamos municípios todos os dias.

Uma mulher pode morar em São João de Meriti e trabalhar no Rio de Janeiro. Pode estudar em Duque de Caxias. Pode visitar a família em Nova Iguaçu. Pode passar o fim de semana em outra cidade.

E então perguntamos:

Quantos aplicativos essa mulher precisa ter para continuar protegida?

Um de São João de Meriti?

Outro de Duque de Caxias?

Outro do Rio de Janeiro?

Outro cada vez que viajar?

NOSSA NECESSIDADE DE PROTEÇÃO NÃO TERMINA NA DIVISA DO MUNICÍPIO.

Não podemos pensar a vida de uma mulher como se ela estivesse confinada dentro da fronteira administrativa da cidade onde mora.

É justamente aí que existe uma diferença fundamental na concepção do GSZ360.

O GSZ360 NÃO FOI PENSADO PARA SER O APLICATIVO DE UMA PREFEITURA. FOI PENSADO PARA SER UMA TECNOLOGIA QUE ACOMPANHA A PESSOA.

A mulher leva sua proteção consigo.

A pessoa idosa leva sua proteção consigo.

E a proposta é que, à medida que diferentes municípios, estados e estruturas públicas se integrem à plataforma, essa rede de proteção possa acompanhar a pessoa por onde ela circular.

Os aplicativos municipais podem existir.

O GSZ360 TAMBÉM.

Não estamos disputando quem pode dizer que possui um aplicativo.

ESTAMOS LUTANDO PARA SABER SE, QUANDO UMA MULHER, CRIANÇA, IDOSO, HOMEM APERTAR O BOTÃO, ALGUÉM VAI RECEBER SEU PEDIDO DE SOCORRO.

A VIOLÊNCIA EM SÃO JOÃO DE MERITI NÃO É UMA SUPOSIÇÃO.

Os dados oficiais mostram por que insistimos tanto em falar de proteção.

Segundo o Dossiê Mulher 2026, produzido pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro a partir dos registros da Polícia Civil, São João de Meriti registrou, em 2025, 1.110 mulheres vítimas de violência física, 1.360 de violência psicológica, 777 de violência moral, 238 de violência patrimonial e 159 de violência sexual.

Essas categorias não devem ser simplesmente somadas como se representassem mulheres diferentes, porque uma mesma vítima pode aparecer em mais de uma forma de violência. Mas os números mostram a dimensão de um problema que já existe no município.

E ainda existe aquilo que nenhum registro consegue mostrar completamente:

AS MULHERES QUE NÃO DENUNCIARAM.

É diante dessa realidade que nós apresentamos mais uma ferramenta de proteção.

MAS NÚMERO NÃO SANGRA.

Em junho de 2026, três pessoas da mesma família foram esfaqueadas em São João de Meriti.

Segundo informações da Polícia Militar divulgadas pelo G1, o principal suspeito era marido de uma das vítimas. Bianca das Graças Dias de Sousa, de 44 anos, Juliana das Graças Dias de Souza, de 42 anos, e João Vítor Dias de Souza Serpa de Oliveira, de 18 anos, sofreram ferimentos nas mãos e nos braços e precisaram de atendimento no Hospital Municipal de São João de Meriti.

O suspeito foi detido e levado para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), responsável pela apuração do caso.

Uma mulher foi atacada.

Outras duas pessoas também foram feridas.

Três pessoas da mesma família precisaram de atendimento médico.

E tudo isso aconteceu em São João de Meriti, em junho de 2026.

A VIOLÊNCIA NÃO É UMA POSSIBILIDADE DISTANTE.

ELA ESTÁ ACONTECENDO AGORA.

LEIA A REPORTAGEM DO G1

Não estamos dizendo que o GSZ360 teria impedido essa morte.

Não sabemos.

E jamais usaremos a morte de uma mulher para fazer uma promessa que não podemos provar.

O que estamos dizendo é muito mais simples:

QUANTAS POSSIBILIDADES DE PEDIR SOCORRO UMA PESSOA EM PERIGO DEVERIA TER?

Para nós, a resposta é:

TODAS AS QUE CONSEGUIRMOS CRIAR.

E QUANDO QUEM PRECISA DE SOCORRO É UMA PESSOA IDOSA?

Em fevereiro de 2026, durante um forte temporal em São João de Meriti, uma mulher de 85 anos, com dificuldade de locomoção, morreu depois que um muro cedeu e ela ficou presa dentro de casa.

Também não sabemos se uma tecnologia como o GSZ360 teria mudado o desfecho daquela situação.

Mas a tragédia nos obriga novamente a pensar.

Uma pessoa idosa que mora sozinha pode cair. Pode passar mal. Pode ficar desorientada. Pode não conseguir realizar uma ligação convencional.

Quantas possibilidades de pedir ajuda ela deveria ter?

Uma ligação?

Um botão?

Um familiar?

Uma rede de apoio?

Um serviço de saúde?

Uma estrutura pública integrada?

POR QUE TER MENOS POSSIBILIDADES DE SOCORRO QUANDO PODEMOS CONSTRUIR MAIS?

LEIA A REPORTAGEM DA CBN

É POR ISSO QUE NÃO VAMOS SIMPLESMENTE NOS CALAR.

Permanecer em silêncio diante disso não é mais uma alternativa para nós.

Não podemos nos calar diante da violência.

Não podemos nos calar diante do feminicídio.

Não podemos simplesmente receber um “não tenho interesse” e ir embora quando aquilo que estamos colocando sobre a mesa é mais uma possibilidade de proteção.

NÃO ESTAMOS PEDINDO EXCLUSIVIDADE.

NÃO ESTAMOS PEDINDO QUE O MUNICÍPIO ABANDONE SUA TECNOLOGIA.

NÃO ESTAMOS PEDINDO DINHEIRO.

Estamos dizendo algo muito mais simples:

NÓS SÓ QUEREMOS VIVER.

COLETIVO REHLUM — MULHERES TECNOLÓGICAS

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