https://coletivorehlum.com Mulheres Tecnológicas Wed, 19 Aug 2026 14:20:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://coletivorehlum.com/wp-content/uploads/2026/09/cropped-cropped-Logo-Coletivo-Rehlum-32x32.png https://coletivorehlum.com 32 32 A POPULAÇÃO DE SÃO JOÃO DE MERITI PRECISA SABER https://coletivorehlum.com/2026/08/19/a-populacao-de-sao-joao-de-meriti-precisa-saber/ https://coletivorehlum.com/2026/08/19/a-populacao-de-sao-joao-de-meriti-precisa-saber/#respond Wed, 19 Aug 2026 04:47:15 +0000 https://coletivorehlum.com/?p=49 Por que o prefeito Léo Vieira não demonstrou interesse em uma tecnologia oferecida gratuitamente ao município para ampliar a proteção de mulheres, pessoas idosas e cidadãos em situação de risco?

Por Coletivo Rehlum — Nossas Lutas

NÃO ESTAMOS FALANDO APENAS DE UM APLICATIVO. ESTAMOS FALANDO DE VIDAS.

Imagine uma mulher sendo seguida na rua. Ela olha para trás, percebe que alguém continua seguindo seus passos, acelera e a pessoa acelera também. Imagine essa mulher poder pedir ajuda apertando apenas um botão. Ou uma discussão ficando mais agressiva e, antes que a situação se transforme em violência, ela conseguir acionar um botão de pânico e iniciar um pedido de socorro que chega imediatamente às pessoas da sua rede de proteção.

A tecnologia evolui para buscar diferentes caminhos — WhatsApp, SMS e BlueGSZ, a comunicação de proximidade concebida para ampliar as possibilidades quando os meios convencionais falham. Se houver internet, uma via; se não houver, outra; se os meios tradicionais não funcionarem, mais uma alternativa. Tudo com um único objetivo: fazer o pedido de ajuda chegar.

Imagine agora uma pessoa idosa que mora sozinha, passa mal, tenta levantar e não consegue. Ela pega o celular, mas não consegue procurar um contato, digitar um número e explicar o que está acontecendo. Imagine essa pessoa tendo ao alcance uma tecnologia simples de proteção. E imagine algo ainda maior: além dos familiares e contatos de emergência, uma integração institucional que permita que determinados pedidos de socorro cheguem também às estruturas públicas — uma viatura da Guarda Municipal, um serviço de saúde, um agente responsável pelo atendimento à pessoa idosa ou a Defesa Civil em uma situação de emergência.

Imagine o que uma estrutura assim pode representar para milhares de pessoas: para uma mulher ameaçada, para uma pessoa idosa que mora sozinha, para uma família que deseja saber que existe mais uma forma de pedir ajuda.

IMAGINOU COMO ISSO PODERIA SER BOM PARA A POPULAÇÃO?

Pois foi exatamente essa proposta de proteção que o Coletivo de Mulheres da Rehlum levou para São João de Meriti.

O GSZ360 nasceu da escuta de centenas de relatos de mulheres vítimas de violência, de familiares de vítimas de feminicídio e de pessoas idosas que convivem com o medo de precisar de ajuda e não conseguir pedi-la a tempo. Sua razão de existir pode ser resumida em uma frase:

REDUZIR O TEMPO ENTRE O RISCO E O SOCORRO.

E NÃO ERA APENAS UMA IDEIA NO PAPEL.

Representantes do Coletivo Rehlum foram até a Prefeitura de São João de Meriti, percorreram setores da administração municipal, conversaram, explicaram e apresentaram a proposta. Chegaram inclusive ao setor responsável pela área de tecnologia, onde o aplicativo foi demonstrado funcionando.

Naquele momento, foi apresentada uma versão funcional do GSZ360 com seu recurso central já operando: o botão de pânico manual. A pessoa percebe o risco, abre o aplicativo, aperta o botão e o pedido de ajuda é iniciado.

Então apareceu o problema. Membros do governo repetiram o mantra de sempre:

“NÃO TEM DINHEIRO.”

Se o problema era financeiro, o Coletivo tomou uma decisão que retirava justamente esse argumento da discussão:

ENTÃO OFERECEMOS GRATUITAMENTE.

Se o município não tinha dinheiro para pagar pela licença, a Rehlum disponibilizaria a licença sem custo, porque naquele momento proteger pessoas era mais importante do que vender uma licença.

A PROPOSTA TAMBÉM CHEGOU À VICE-PREFEITA.

O GSZ360 também foi apresentado à vice-prefeita. A tecnologia foi explicada e, novamente, surgiu a questão financeira. Mais uma vez as representantes da Rehlum deixaram claro: não precisava pagar; a licença seria oferecida gratuitamente.

Segundo as representantes do Coletivo que participaram do encontro, a proposta seria levada ao prefeito Léo Vieira. Depois de todo esse percurso — apresentar o aplicativo, demonstrar seu funcionamento e retirar o custo da licença — chegou ao Coletivo a informação:

“NÃO TENHO INTERESSE.”

Um coletivo de mulheres pretas com uma startup apresenta uma ferramenta de proteção. O aplicativo é demonstrado. A Prefeitura diz que não tem dinheiro. O Coletivo oferece a licença gratuitamente. O argumento financeiro deixa de existir. E, mesmo assim, não há interesse.

A pergunta, então, não pertence mais apenas à Rehlum. Ela pertence à população de São João de Meriti:

POR QUÊ?

O PIOR É QUE NÃO PRECISAMOS IMAGINAR A VIOLÊNCIA EM SÃO JOÃO DE MERITI.

Ela existe. Está registrada e documentada. Os próprios números oficiais do Estado mostram isso.

O Dossiê Mulher 2026, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública a partir dos registros da Polícia Civil, apresenta os dados de violência contra mulheres em cada município. Em São João de Meriti, em 2025, foram:

  • 1.110 mulheres vítimas de violência física;
  • 1.360 mulheres vítimas de violência psicológica;
  • 777 mulheres vítimas de violência moral;
  • 238 mulheres vítimas de violência patrimonial;
  • 159 mulheres vítimas de violência sexual.

Esses são números oficiais. Agora imagine as que não denunciaram. Oficialmente, são mais de mil registros de mulheres vítimas de violência física e mais de mil de violência psicológica em um único ano. E é diante dessa realidade que estamos falando de uma tecnologia de proteção apresentada ao município.

MAS NÚMERO NÃO SANGRA.

Número não tem mãe, não tem filho, não tem sonhos e não sente medo. Mulheres sentem.

Por isso precisamos sair dos números e olhar para algumas histórias que aconteceram em São João de Meriti.

TRÊS PESSOAS DA MESMA FAMÍLIA SÃO ESFAQUEADAS EM SÃO JOÃO DE MERITI

Em junho de 2026, uma mulher foi ferida com faca pelo companheiro em São João de Meriti. Duas pessoas tentaram defendê-la e também foram feridas. Três pessoas precisaram de atendimento médico. O homem foi preso e conduzido à Delegacia de Atendimento à Mulher.

Volte ao começo desta matéria e imagine uma pessoa percebendo que uma situação está saindo do controle. Imagine existir mais uma possibilidade de pedir ajuda rapidamente.

É disso que estamos falando: não de uma solução mágica ou de uma promessa de que nenhuma violência acontecerá, mas de mais uma possibilidade de pedir socorro.

LEIA A REPORTAGEM DO G1

IDOSA MORRE DURANTE TEMPORAL EM SÃO JOÃO DE MERITI, NA BAIXADA FLUMINENSE

Voltemos à pessoa idosa que imaginamos no início. Em fevereiro de 2026, durante um forte temporal em São João de Meriti, uma mulher de 85 anos, com dificuldade de locomoção, morreu depois que um muro cedeu e ela ficou presa dentro de casa.

Não sabemos se o GSZ360 teria salvado essa senhora e não vamos usar uma tragédia para fazer uma promessa que ninguém pode provar. A pergunta é outra: quantas possibilidades de pedir socorro uma pessoa idosa deveria ter?

Uma ligação, um botão, um familiar, uma rede de apoio, um agente de saúde, uma estrutura pública integrada?

POR QUE ESCOLHER MENOS PROTEÇÃO QUANDO PODEMOS DISCUTIR MAIS PROTEÇÃO?

LEIA A REPORTAGEM DA CBN

E O PROBLEMA NÃO TERMINA EM SÃO JOÃO DE MERITI.

O Instituto de Segurança Pública registrou 104 vítimas de feminicídio no Estado do Rio de Janeiro em 2025. No mesmo período, foram registradas 59.743 mulheres vítimas de violência psicológica, 38.819 de violência moral, 8.492 de violência patrimonial e 8.681 de violência sexual.

O Dossiê Mulher 2026 registra ainda 159.041 meninas e mulheres vítimas das formas de violência analisadas no Estado em 2025 — uma média de 436 vítimas por dia, 18 por hora e 3 por minuto. Aproximadamente 65% dessas violências foram praticadas por homens pertencentes ao círculo de convivência e confiança das vítimas.

Enquanto você lê esta matéria, alguma mulher pode estar sendo ameaçada, tentando sair de uma situação de violência ou procurando uma maneira de pedir ajuda.

E O MAIS DIFÍCIL DE ENTENDER CONTINUA SENDO ISTO:

O Coletivo foi até a Prefeitura, apresentou o aplicativo, demonstrou seu funcionamento, passou pelo setor de tecnologia, apresentou a proposta à vice-prefeita e ouviu que não havia dinheiro.

Então retirou o dinheiro da discussão:

OFERECEU A LICENÇA GRATUITAMENTE.

Depois disso, recebeu a informação:

“NÃO TENHO INTERESSE.”

Então perguntamos novamente:

POR QUÊ?

SE O PROBLEMA ERA DINHEIRO E O DINHEIRO DEIXOU DE SER O PROBLEMA, QUAL ERA O PROBLEMA?

Imagine mais uma vez uma mulher sendo seguida, uma mulher ameaçada, uma pessoa idosa sozinha, uma família desesperada tentando saber onde está alguém que ama.

Imagine existir uma ferramenta a mais. Imagine o município com essa licença, integrando pessoas, rede de apoio, segurança, saúde, assistência e tecnologia para fazer o socorro chegar mais rápido.

Agora imagine um município poder começar a experimentar uma tecnologia como essa sem pagar pela licença oferecida pelo Coletivo.

Imaginou?

NÓS TAMBÉM.

É por isso que ainda queremos saber:

POR QUE NÃO HOUVE INTERESSE?

ESTA NÃO É MAIS APENAS UMA PERGUNTA DA REHLUM.

É uma pergunta que colocamos diante da população de São João de Meriti, das mulheres, das famílias, das pessoas idosas e de todos aqueles que acreditam que novas ferramentas de proteção devem, no mínimo, ser conhecidas e avaliadas.

Os dados são públicos. As notícias são públicas. As vítimas são reais. A proposta foi apresentada. O aplicativo foi demonstrado. A licença foi oferecida gratuitamente.

ENTÃO A PERGUNTA TAMBÉM PRECISA SER PÚBLICA:

POR QUÊ?

QUEM AMA, PROTEGE.

QUEM NÃO AMA, NÃO PROTEGE.

COLETIVO REHLUM — MULHERES TECNOLÓGICAS

Nossas Lutas. Nossas Histórias. Nossas Conquistas. Nossas Vitórias.

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